
De repente, assim, como acontecem as coisas especiais, comecei a viver. Assim, tão de repente quanto um suspiro apaixonado, como a tardia percepção da importância de algo, percebi q tinha encontrado alguma coisa q fez com q eu notasse um vazio no meu peito. Eu tinha um buraco bem grande na minha alma. E até então, eu não sentia que ele estava lá. Parado. Indolor. Foi preciso esse sacolejo repentino.
De repente, senti a necessidade de trazer a tona, o dom mais divino q Deus pode conceder a uma criatura: eu queria amar. Eu queria poder cuidar de outra pessoa, mas de uma forma tão diferente, que eu pensava estar louca.
De repente, me vi assim. Perdida do meu caminho, cansativo e rotineiro. De repente, senti a necessidade visceral e mística, de querer estar em outro corpo, com outro corpo e além. Senti a vontade de alisar pêlos, ouvir sussurros, permitir carícias.
De repente, senti que aquele vazio, foi aumentando proporcionalmente à medida em que ele não estava presente. Senti a dor e o prazer de ser correspondida na loucura. Senti o desespero de ter e não ter as coisas ao alcance do meu coração. Senti que mesmo ao lado, eu não tinha nada. E foi aí q eu descobri: era tarde demais pra separar uma coisa da outra. Mesmo sem ter compartilhados cobertas, já estava infectada. Então eu transcendi minha própria consciência, e eu já não era mais eu. Eu, éramos nós. Eu, singular, me transformei em plural. E comecei a amar, muito além e fora de mim. EU TE AMO, fora das convenções, fora dos sermões, além de estrelas, passado da lua, em várias galáxias.
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