
Os goles de café frio
não aplacam o fogo que arde em mim.
Pudera, cafeína é estimulante de fogueiras
onde não existe lenha: existem quereres.
Sinto e me transformo em Letes, o rio que sangra no inferno
e para ele.
Eu sou a fogueira. E sou o rio.

Percorro-lhe os caminhos longínquos, de peles redobradas, onde não vês nada - Sentes tudo.
Percorro lentamente. Não tenho pressa. Não tenho nada. Ouço "vem amor...". Abro os braços,
e entrego o ouro, entrego o mundo, procuro o gozo. O teu tudo. E volto a te procurar sulcos pelo corpo,
caçando-te com a língua mole, os caminhos todos.
Vulva, volvo, contorno. Suspiro, quase tonto.
Volto. De novo.

Tuas formas agigantadas sobre as minhas carnes. É sobre isso que gosto de pensar,
em cada novo dia que não te tenho ao meu lado.
Gosto de pensar em ti, como a nuvem que chega, trazendo pingos de chuva.
Tenho teus pingos em minha testa, e teu corpo sobre o meu
e tuas mãos a me correr.
Tenho teus urros na lembrança.