sexta-feira, 11 de julho de 2008


Os goles de café frio

não aplacam o fogo que arde em mim.

Pudera, cafeína é estimulante de fogueiras

onde não existe lenha: existem quereres.

Sinto e me transformo em Letes, o rio que sangra no inferno

e para ele.

Eu sou a fogueira. E sou o rio.

Ele um dia, me chamou de "meu anjo"

beijou minha boca como se fosse a última vez

e me falou vontades ao pé da orelha como se sussurrasse entre travesseiros.

Pena que ele descobriu cedo demais,

que não me abrigo em nuvens brancas.


Percorro-lhe os caminhos longínquos, de peles redobradas, onde não vês nada - Sentes tudo.

Percorro lentamente. Não tenho pressa. Não tenho nada. Ouço "vem amor...". Abro os braços,

e entrego o ouro, entrego o mundo, procuro o gozo. O teu tudo. E volto a te procurar sulcos pelo corpo,

caçando-te com a língua mole, os caminhos todos.

Vulva, volvo, contorno. Suspiro, quase tonto.

Volto. De novo.


Tuas formas agigantadas sobre as minhas carnes. É sobre isso que gosto de pensar,

em cada novo dia que não te tenho ao meu lado.

Gosto de pensar em ti, como a nuvem que chega, trazendo pingos de chuva.

Tenho teus pingos em minha testa, e teu corpo sobre o meu

e tuas mãos a me correr.

Tenho teus urros na lembrança.

eu



Eu poderia ser outra.

Outro corpo, outra vida.

Trocar meus cabelos pretos, por fios dourados.

Talvez vermelhos.

Talvez crespos.

Longos.

Com outras formas,

outros gostos. Outras escolhas. Outros caminhos.

Mas volto a olhar no espelho, a mesma cara louca de sempre.