sábado, 19 de julho de 2008


“Não jurei todas as mentiras, mas mesmo assim continuo sozinha e mantive assim, minha palavra sem pestanejar. Doeu perceber te ter só por dois dias, mas no fim do segundo

descobri que é agora que te tenho de verdade.”

“Teu estar ao meu lado faz com que eu me sinta bem, tão bem a ponto de ter ganas de escrever tantas páginas quanto a mão pode agüentar. Tudo em ti me inspira, tua respiração simples, teu olhar atencioso e teu gosto por desculpas eternas”.

“Sinceramente, descobri que não sei dividir corpos, principalmente, especialmente e unicamente o teu, com quem quer que seja. Preciso de ti, para continuar escrevendo da forma tosca a que estou habituada e gosto; preciso da tua pele roçando a minha, da tua barba, teus rompantes, tuas aulas de astronomia e da insensatez do meu coração quando estou ao teu lado”.
“Fito ondas disformes e me lembro de nós, tão tarde quanto a madrugada permite. Escrevo tantas frases sem nexo, que sei, mal dito ouvinte e dissonante, que nexo mesmo tínhamos tu e eu, um nos braços do outro. Do tipo “coisas que se promete enquanto se faz sexo”, prometi ser eternamente tua, enquanto me quisesses em teus braços, e agora e hoje (somente hoje) sei que acabei mesmo te mentindo. Eternamente não é a palavra correta. Ela é, na verdade, muito curta e temporal para representar minha realidade.”

“Minha pele ainda é quente do teu corpo

e ainda sinto nas coxas, tua mão pequena e fina

me descobrindo devagarzinho e urgente. Sôfrega e ardente.

Ainda tenho a sensação de tua língua na minha boca

Do teu peito no meu

Das tuas mentiras piedosas na minha vontade de acredita-las.

Mas quem sabe?

O destino é menino caprichoso, e numa dessas curvas do caminho

Nos encontramos de novo.”


Escreve-me um punhado de frases sujas

Que mintam vontades,

Que sejam tortas, tolas, prontas.

Sem rima ou métrica,

mas com alguma pretensão;

Preciso delas pra ajudar a me lembrar de ti

Pra que eu possa te guardar um pouco mais em mim

“Sai poesia da minha boca quando estou do teu lado, e quando minha boca não está junto da tua... percebi que nossos corpos são a própria sinfonia colados um no outro”.

“ Diz o dito

dispara o disparate

díspar dito

ditado ditame

infame aturdido

distante

diante disso

displicente

distraído.”

Entardeci e anoiteci teus olhos, de um janeiro quase sem chuvas

Teu odor âmbar em meu corpo

Não abandona nem com banho quente

És meu amigo amiúde, meu amor amoral,

minha amora madura

de aprazíveis e doces “vez em quando”

minha amplitude, meu amparo

amoroso e quase perfeito

minha amuada andadura

e por vezes, o oco do meu peito.”

ela tem olhos vorazes

olhos de novos tempos

olhos novos, sedentos

de uma novidade santa

uma curiosidade tanta

tamanha, grandiosa

ela é uma compilação amorosa

ela é prosa e verso

é o verbo

o certo e o tudo

ela é um pouco de mim

e o tudo em mim

minha duplicidade

minha curiosidade, meu bilhete só de ida

ela é minha

é imune

minha linda,

minha Ayumi.


Eu sinto tua falta nos meus poros,

sinto tua presença - fantasma - em todos os lados

mas fazer o quê, quando a distância é só um capricho geográfico

os olhares não se cruzam por isso

as palavras não fluem da boca, dos lábios quentes

mas dos dedos frenéticos num teclado imundo.....

estou inundada de tua lembrança.

queria teu corpo agora.


na verdade, a nossa verdade dói por ser apenas preto e branco

nossa verdade colorida.

na verdade, sabemos que na verdade somos assim

um tanto carmim

um tanto escombros

na verdade, não sei tanto de mim,

nem de ti, tão pouco.

na verdade e a bem dela

sabemos o suficiente

e no fim das contas

só nos fins da semana

temos um ao outro.


eu tenho que arranjar tempo e desculpas, para te ter mais um fim de semana;

tempo pra sorver teu suor, que banha tua pele tão fina e branca

tempo pra alisar teus pêlos úmidos e tantos

em teu peito que arfa

tua boca que explora

teu olhar que ordena;

tenho que arranjar desculpas,

esquecer as culpas, te libertar da minha saudade

tenho, na verdade, que te abrigar de novo entre meus seios.

o que eu escrevo já é velho, não tem novas palavras

fica sem graça reler vígulas

cansativo ver tantas frases prontas.

dane-se.


Olha só, vem pra cá

não diz que é cedo, que tá chovendo, que tá com preguiça

por que é tarde, é tarde, tarde...

a chuva pode molhar e a lombeira desaparece rápido

por que eu te quero aqui pra mim

eu te quero bem assim

todo a fim

vem pra cá, pra dentro dos meus braços

pra dentro do meu espaço

vem, meu anjo, vem aqui...


à veefe

à aquele que soube ler meus poros e meu suor,

que percorreu os trilhos do meu corpo

dedico meu sono, meu sonho, meu cansaço, meu gozo.

dedico linhas e palavras

quando queria dedicar minha alma.

me perdoe, meu coração não está pronto.

sei que o teu está ocupado.

então, ficamos assim, nesse trato:

amizade arco-íris - traz a chuva, o sol

e de quebra, as cores....


"Maliciosa ela me olha, com aquele sorriso nas pupilas. Aquele sorriso. E entreabre o segredo em asas de borboleta – lentamente abrindo, vagarosamente fechando. Pulsando. Ela pulsa visivelmente, o corpo todo se transforma em brisa quente. Nos transformamos num único rio tenebroso, em que não se sabe quem se mistura onde ou porquê. E por um instante tão ínfimo, somos esse rio. Essa melodia de dois tons."


"Eu me nego a te querer de novo, debaixo dos meus lençóis, sob meu corpo.

Me nego a dar este desvalor a mim.

Me nego e me descontrolo, porque sou duas partes de uma mesma mulher, e por isso mesmo, desenfreio.

Me nego, Ter teu calor no meu pescoço eriçado

nego Ter teu gozo quente aqui dentro, nego, nego

nego até morrer e mesmo sob tortura, nego.

Nego o meu segredo velado,

nego o profético e o sagrado.

Nego, por que só quero você."

"Nos tateamos a procura

e encontramos nossos desejos úmidos e compassados.

Vapores e sabores.

Minha boca na tua, minhas águas – teus calores.

E línguas. E mãos.

Nossas águas. Nossos vãos."


"O que de melhor eu posso fazer pra lidar com a tua perda?

Perdi teu mundo em algum canto da sala, não consigo encontrá-lo mais.

Sei que não.

Então, o que faço com as lembranças que ficaram

do que um dia tive por dentro e acima,

em cima, ao lado, na frente e atrás?

Era onipresente. E agora, é perdido.

Transgressão seria te encontrar de novo."

"Não se esqueça que eu te amo

Agora e sempre, desde que eu aprendi a amar.

A te amar.

Te amo quando acordo com cabelos e sonhos desalinhados,

no gosto da pasta dental com flúor.

Nos goles de café, no pedaço de pão integral com margarina.

Te amo pela manhã.

Te amo na roleta do ônibus,

No banco e vidro sujos

No ponto eletrônico do trabalho

No computador e nos baldes d’água e chá.

Te amo pela tarde.

Te amo no caminho vazio e frio

Te amo na apreensão de um quase assalto

Te amo na lua cheia (e em todas as outras)

Nas nuvens, nos pingos de chuva

Te amo todas as noites

No meu travesseiro

Nas três almofadas e no edredon da minha cama grande.

Não se esqueça que eu te amo sempre."


"Vou te falar o que me fere: não consegue a boca falar as falas do coração, porque são verdades que os ouvidos não podem sentir. Os teus ouvidos. Não consegues saber o que se passa por aqui. Então, não intentes de querer sabe-lo, porque com certeza, na realidade não o vais. E o incrível é que somente com os olhos, o outro me decifra e me devora, como a efígie das lendas. Eu me deixo devorar em vontade e lembrança. Imaginação. Te guardo respeito e me mutilo vontades. Não tomo a cabo, por medo de perder o sólido. O sol. A tentação já foi embora em carne. Mas perdura diáfana."

Desvelos velados. Ela plácida e muda, me fita com olhos amarelos de fim de tarde. Tudo muda e o mundo gira lento, compassado e úmido. Por aí, vem os ventos da manhã. Pressinto seu corpo nu ao meu lado, e as curvas, os sabores, os suores. Sinto a presença dela em mim.


me sento e olho.

nesse instante, em que meus olhos correm distâncias

quantos gritos de terror são libertos? quantas lágrimas rolam?

quantos nascem e tantos morrem - de dor, dormindo, em trânsito, no hospital, em casa?

quantos gozam, quantas emprenham, quantos perdem a pureza - entrepernas e no caráter?

quantos dormem, quantos acordam, tantos se apaixonam, outros se separam, alguns somente partem, poucos continuam ?

a vida se desenrola sob meus olhos, como novelo novo em pata de gato - o fio jaz no chão. Eu, imóvel, vendo a corrida do tempo.