
“Não jurei todas as mentiras, mas mesmo assim continuo sozinha e mantive assim, minha palavra sem pestanejar. Doeu perceber te ter só por dois dias, mas no fim do segundo
descobri que é agora que te tenho de verdade.”


“Minha pele ainda é quente do teu corpo
e ainda sinto nas coxas, tua mão pequena e fina
me descobrindo devagarzinho e urgente. Sôfrega e ardente.
Ainda tenho a sensação de tua língua na minha boca
Do teu peito no meu
Das tuas mentiras piedosas na minha vontade de acredita-las.
Mas quem sabe?
O destino é menino caprichoso, e numa dessas curvas do caminho
Nos encontramos de novo.”

“Entardeci e anoiteci teus olhos, de um janeiro quase sem chuvas
Teu odor âmbar em meu corpo
Não abandona nem com banho quente
És meu amigo amiúde, meu amor amoral,
minha amora madura
de aprazíveis e doces “vez em quando”
minha amplitude, meu amparo
amoroso e quase perfeito
minha amuada andadura
e por vezes, o oco do meu peito.”
ela tem olhos vorazes
olhos de novos tempos
olhos novos, sedentos
de uma novidade santa
uma curiosidade tanta
tamanha, grandiosa
ela é uma compilação amorosa
ela é prosa e verso
é o verbo
o certo e o tudo
ela é um pouco de mim
e o tudo em mim
minha duplicidade
minha curiosidade, meu bilhete só de ida
ela é minha
é imune
minha linda,
minha Ayumi.

Eu sinto tua falta nos meus poros,
sinto tua presença - fantasma - em todos os lados
mas fazer o quê, quando a distância é só um capricho geográfico
os olhares não se cruzam por isso
as palavras não fluem da boca, dos lábios quentes
mas dos dedos frenéticos num teclado imundo.....
estou inundada de tua lembrança.
queria teu corpo agora.

na verdade, a nossa verdade dói por ser apenas preto e branco
nossa verdade colorida.
na verdade, sabemos que na verdade somos assim
um tanto carmim
um tanto escombros
na verdade, não sei tanto de mim,
nem de ti, tão pouco.
na verdade e a bem dela
sabemos o suficiente
e no fim das contas
só nos fins da semana
temos um ao outro.

eu tenho que arranjar tempo e desculpas, para te ter mais um fim de semana;
tempo pra sorver teu suor, que banha tua pele tão fina e branca
tempo pra alisar teus pêlos úmidos e tantos
em teu peito que arfa
tua boca que explora
teu olhar que ordena;
tenho que arranjar desculpas,
esquecer as culpas, te libertar da minha saudade
tenho, na verdade, que te abrigar de novo entre meus seios.

Olha só, vem pra cá
não diz que é cedo, que tá chovendo, que tá com preguiça
por que é tarde, é tarde, tarde...
a chuva pode molhar e a lombeira desaparece rápido
por que eu te quero aqui pra mim
eu te quero bem assim
todo a fim
vem pra cá, pra dentro dos meus braços
pra dentro do meu espaço
vem, meu anjo, vem aqui...

à aquele que soube ler meus poros e meu suor,
que percorreu os trilhos do meu corpo
dedico meu sono, meu sonho, meu cansaço, meu gozo.
dedico linhas e palavras
quando queria dedicar minha alma.
me perdoe, meu coração não está pronto.
sei que o teu está ocupado.
então, ficamos assim, nesse trato:
amizade arco-íris - traz a chuva, o sol
e de quebra, as cores....

"Maliciosa ela me olha, com aquele sorriso nas pupilas. Aquele sorriso. E entreabre o segredo em asas de borboleta – lentamente abrindo, vagarosamente fechando. Pulsando. Ela pulsa visivelmente, o corpo todo se transforma em brisa quente. Nos transformamos num único rio tenebroso, em que não se sabe quem se mistura onde ou porquê. E por um instante tão ínfimo, somos esse rio. Essa melodia de dois tons."

"Eu me nego a te querer de novo, debaixo dos meus lençóis, sob meu corpo.
Me nego a dar este desvalor a mim.
Me nego e me descontrolo, porque sou duas partes de uma mesma mulher, e por isso mesmo, desenfreio.
Me nego, Ter teu calor no meu pescoço eriçado
nego Ter teu gozo quente aqui dentro, nego, nego
nego até morrer e mesmo sob tortura, nego.
Nego o meu segredo velado,
nego o profético e o sagrado.
Nego, por que só quero você."

"O que de melhor eu posso fazer pra lidar com a tua perda?
Perdi teu mundo em algum canto da sala, não consigo encontrá-lo mais.
Sei que não.
Então, o que faço com as lembranças que ficaram
do que um dia tive por dentro e acima,
em cima, ao lado, na frente e atrás?
Era onipresente. E agora, é perdido.
Transgressão seria te encontrar de novo."
"Não se esqueça que eu te amo
Agora e sempre, desde que eu aprendi a amar.
A te amar.
Te amo quando acordo com cabelos e sonhos desalinhados,
no gosto da pasta dental com flúor.
Nos goles de café, no pedaço de pão integral com margarina.
Te amo pela manhã.
Te amo na roleta do ônibus,
No banco e vidro sujos
No ponto eletrônico do trabalho
No computador e nos baldes d’água e chá.
Te amo pela tarde.
Te amo no caminho vazio e frio
Te amo na apreensão de um quase assalto
Te amo na lua cheia (e em todas as outras)
Nas nuvens, nos pingos de chuva
Te amo todas as noites
No meu travesseiro
Nas três almofadas e no edredon da minha cama grande.
Não se esqueça que eu te amo sempre."

"Vou te falar o que me fere: não consegue a boca falar as falas do coração, porque são verdades que os ouvidos não podem sentir. Os teus ouvidos. Não consegues saber o que se passa por aqui. Então, não intentes de querer sabe-lo, porque com certeza, na realidade não o vais. E o incrível é que somente com os olhos, o outro me decifra e me devora, como a efígie das lendas. Eu me deixo devorar em vontade e lembrança. Imaginação. Te guardo respeito e me mutilo vontades. Não tomo a cabo, por medo de perder o sólido. O sol. A tentação já foi embora em carne. Mas perdura diáfana."

me sento e olho.
nesse instante, em que meus olhos correm distâncias
quantos gritos de terror são libertos? quantas lágrimas rolam?
quantos nascem e tantos morrem - de dor, dormindo, em trânsito, no hospital, em casa?
quantos gozam, quantas emprenham, quantos perdem a pureza - entrepernas e no caráter?
quantos dormem, quantos acordam, tantos se apaixonam, outros se separam, alguns somente partem, poucos continuam ?
a vida se desenrola sob meus olhos, como novelo novo em pata de gato - o fio jaz no chão. Eu, imóvel, vendo a corrida do tempo.